TEMA DO MÊS

SÃO NICOLAU

A notícia mais antiga sobre São Nicolau, para além das lendas, é do século VI, a qual informa sobre a existência de uma basílica dedicada a este grande santo de Mira, cidade situada na atual Turquia.
Após ter feito uma peregrinação à Terra Santa, Nicolau foi ordenado Bispo de Mira. Em pouco tempo conquistou a simpatia de todos, devido a sua exemplar caridade e bondade para com todos. Seu espírito de oração o tornou conhecido e amado para além de sua diocese.
Na perseguição de Diocleciano, por volta do ano 310, Nicolau foi preso e torturado. Só não foi morto porque em 313 foi proclamado o Edito de Milão, que concedeu a liberdade religiosa para os cristãos.
Nicolau foi um dos bispos que participou do Concílio de Nicéia, em 323, no qual foi definida a fé na divindade de Cristo, proclamado consubstancial ao Pai. Neste mesmo Concílio, um outro fato emocionou os participantes: Constantino Magno, o imperador de Roma, que tanto perseguia os cristãos, ajoelhou-se para beijar as cicatrizes do bispo Nicolau, pedindo perdão.
Nicolau faleceu em torno do ano 350. Diante da ameaça de profanação de seu sepulcro pela invasão dos muçulmanos, uma expedição de 62 soldados da cidade italiana de Bari resgatou e transportou as relíquias de Nicolau para a catedral dessa cidade. Dali seu culto correu terras e mares, alcançando até a Rússia, da qual é o padroeiro.
São muitas as histórias em torno do bispo Nicolau. Uma das mais famosas é a das três moças que queriam casar, mas não tinham o dote exigido por serem muito pobres. O pai sugeriu que se prostituíssem para conseguir o dinheiro necessário. Quando São Nicolau soube disso jogou pela janela da casa delas o valor correspondente.
A atual figura comercial do Papai Noel foi inspirada no bispo São Nicolau. Ele ajudava não só em forma de dinheiro as famílias necessitadas, mas também distribuía doces para as crianças pobres por ocasião do Natal. Ainda hoje, por exemplo, na Alemanha, as crianças recebem seus presentes no dia de São Nicolau, pois no Natal, quem deve ser homenageado é o Menino Jesus.
Mesmo após 17 séculos, o exemplo de São Nicolau continua a estimular-nos para que nossa vida seja marcada pela generosidade, pelo carinho e pelo cuidado com os mais pobres e carentes, também de afeto e de amor. Que a proximidade da festa do Natal nos recorde que Jesus é o mais belo presente que o Pai nos concedeu, que Seu amor está ao alcance de todos e que não há nenhum outro presente que o possa superar.

Fonte: Revista Canção Nova
Frei Jorge E. Hartmann OFM é Padre da Ordem dos Frades Menores

Símbolos e tradições do Natal
Árvore de Natal

Entre as várias versões sobre a procedência da árvore de Natal, a maioria delas indicando a Alemanha como país de origem, a mais aceita atribui a novidade ao padre Martinho Lutero (1483-1546), autor da Reforma Protestante do século XVI. Olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam a trilha, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza daquilo, decidiu arrancar um galho para levar para casa. Lá chegando, entusiasmado, colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra e, chamando a esposa e os filhos, decorou-o com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos ramos. Arrumou em seguida papéis coloridos para enfeitá-lo mais um tanto. Era o que ele vira lá fora. Afastando-se, todos ficaram pasmos ao verem aquela árvore iluminada que parecia terem dado vida. Nascia assim a árvore de Natal. Queria, assim, mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.
Na Roma Antiga, os romanos penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada de “Saturnália”, que coincidia com o nosso Natal.

Presépio
As esculturas e quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis, além das representações teatrais semi-litúrgicas que aconteciam durante a Missa de Natal, serviram de inspiração para que se criasse o presépio. A tradição católica diz que o presépio (do lat. praesepio) surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo mais realista e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.
O sucesso dessa representação do Presépio foi tanto que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres européias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Na Espanha, a tradição chegou pela mão do Rei Carlos III, que a importou de Nápoles no século XVIII. Sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos se estendeu ao longo do século XIX, e na França, não o fez até inícios do século XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.

Decorações natalícias
Uma outra tradição do Natal é a decoração de casas, edifícios, elementos estáticos, como postes, pontes e árvores, estabelecimentos comerciais, prédios públicos e cidades com elementos que representam o Natal, como, por exemplo, as luzes de natal e guirlandas. Em alguns lugares, existe até uma competição para ver qual casa ou estabelecimento teve a decoração mais bonita, com direito a receber um prémio.
Anúncio do anjo e nascimento de Jesus
O nascimento de Jesus se deu por volta de dois anos antes da morte do Rei Herodes, denominado “o Grande”, ou seja, considerando que este morreu em 4 AC, então Jesus só pode ter nascido em 6 AC. Segundo a Bíblia, antes de morrer, Herodes mandou matar os meninos de Belém até aos 2 anos, de acordo com o tempo que apareceu a “estrela” aos magos. Era seu desejo se livrar de um possível novo “rei dos judeus”. (cf. Mt 2. 1, 16-19)
Ainda segundo a Bíblia, antes do nascimento de Jesus, Octávio César Augusto decretou que todos os habitantes do Império fossem se recensear, cada um à sua cidade natal. Isso obrigou José a viajar de Nazaré (na Galiléia) até Belém (na Judéia), a fim de registar-se com Maria, sua esposa. Deste modo, fica claro que não seria um recenseamento para fins tributários.
“Este primeiro recenseamento” fora ordenado quando o cônsul Públio Sulplício Quirino “era governador [em gr. hegemoneuo] da Síria [província imperial].” (Lucas 2,1-3 - O termo grego hegemoneuo vertido por “governador”, significa apenas “estar liderando” ou “a cargo de”. Pode referir-se a um “governador territorial”, “governador de província” ou “governador militar”. As evidências apontam que nessa ocasião, Quiríno fosse um comandante militar em operações na província da Síria, sob as ordens diretas do Imperador.)
Sabe-se que os governadores da Província da Síria durante a parte final do governo do Rei Herodes foram: Sentio Saturnino (de 9 AC a 6 AC), e o seu sucessor, foi Quintilio Varo. Quirino só foi Governador da Província da Síria, em 6 AC. O único recenseamento relacionado a Quirino, documentado fora dos Evangelhos, é o referido pelo historiador judeu Flávio Josefo como tendo ocorrido no início do seu governo (Antiguidades Judaicas, Vol. 18, Cap. 26). Obviamente, este recenseamento não era o “primeiro recenseamento”.
A viagem de Nazaré a Belém - distância de uns 150 km - deveria ter sido muito cansativa para Maria, que estava em adiantado estado de gravidez. Enquanto estavam em Belém, Maria teve o seu filho primogénito. Envolveu-o em faixas de panos e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar disponível para eles no alojamento [isto é, não havia divisões disponíveis na casa que os hospedava; em gr. tô kataluma, em lat. in deversorio]. Maria necessitava de um local tranquilo e isolado para o parto (Lucas 2:4-8). Lucas diz que no dia do nascimento de Jesus, os pastores estavam no campo guardando seus rebanhos “durante as vigílias da noite”. Os rebanhos saíam para os campos em Março e recolhiam nos princípios de Novembro.
A vaca e o jumento junto da manjedoura conforme representado nos presépios resultam de uma simbologia inspirada em Isaías 1:3 que diz: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende”. Não há nenhuma informação fidedigna que prove que havia animais junto do recém-nascido Jesus. A menção de “um boi e de um jumento na gruta” deve-se também a alguns Evangelhos Apócrifos.

A estrela de Belém
Após o nascimento de Jesus em Belém, ainda governava a Judeia o Rei Herodes. Chegaram do Oriente à Jerusalém uns magos guiados por uma estrela, segundo a descrição do Evangelho de Mateus, anunciou o nascimento de Jesus e levou os Três Reis Magos ao local onde este se encontrava. A natureza real da Estrela de Belém.

Visita dos magos
Os “magos”, em gr. magoi, que vinham do Leste de Jerusalém, não eram reis. Julga-se que terá sido Tertuliano de Cartago, que no início do 3.º Século teria escrito que os Magos do Oriente eram reis. O motivo parece advir de algumas referências do Antigo Testamento, como é o caso do Salmo 68:29: “Por amor do Teu Templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes.”
Em vez disso, os “magos” eram sacerdotes astrólogos, talvez seguidores do Zoroastrismo. Eram considerados “Sábios”, e por isso, conselheiros de reis. Podiam ter vindo de Babilónia, mas não podemos descartar a Pérsia (Irã). São Justino, no 2.º Século, considera que os Magos vieram da Arábia. Quantos eram e os seus nomes, não foram revelados nos Evangelhos canónicos. Os nomes de Gaspar, Melchior e Baltazar constam dos Evangelhos Apócrifos. Deduz-se terem sido 3 magos, em vista dos 3 tipos de presentes. Tampouco se menciona em que animais os Magos vieram montados.
Outro fator muito importante está relacionado com a existência de uma grande comunidade de raiz judaica na antiga Babilónia, o que sem dúvida teria permitido o conhecimento das profecias messiânicas dos judeus e a sua posterior associação de simbolismos aos fenômenos celestes que ocorriam.