Madalena: apóstola de Jesus.
Maria Madalena é uma personagem controversa na tradição
canônica. Duas imagens de sua personalidade foram conservadas no inconsciente
coletivo: testemunha primeira da ressurreição e prostituta arrependida.
Como o seu próprio nome indica, Maria Madalena é originária da cidade
portuária e também colônia de pescadores Mágdala, que estava à beira ocidental
do lago de Genesaré.
Muitas histórias sobre a vida de Madalena foram transmitidas, sendo muitas
delas de caráter lendário. Conta-se que ela era mulher de Pappus ben Judas.
Por amor a um soldado romano, das tropas de Herodes Antipas, chamado Panther,
ela deixou o seu marido. O soldado morava em Mágdala, e segundo estudiosos,
conta-se que ela fugiu com o soldado romano, sendo posteriormente repudiada
por ele. Abandonada, ela é acolhida por Jesus, que expulsa demônios do
seu corpo. Madalena deixa de ser prostituta para seguir a Jesus.
No Novo Testamento, os evangelistas (Marcos, Mateus, Lucas e João) é que
nos oferecem informações sobre a personalidade e a atividade apostólica
de Maria Madalena: a) Apóstola de Jesus; b) Mulher possessa de 7 demônios;
c) Sustenta financeiramente Jesus; d) Mulher sem laços familiares; e)
Testemunha da morte de Jesus; f) Discípula amada de Jesus; g) Testemunha
da ressurreição de Jesus aos discípulos, dizendo “Eu vi o Senhor”; h)
Tem medo de anunciar que Jesus ressuscitou; i) Mulher de oração.
Maria Madalena, segundo a tradição canônica dos evangelhos de Mateus,
Marcos, Lucas e João, era uma discípula fiel, apóstola, testemunha ocular
da ressurreição. Acompanhou o mestre até o fim. Madalena não deixou perder
de vista o seu amado, quem expulsou dela “sete demônios”, revigorando-a
no seguimento do Reino. Eis uma mulher digna de ser seguida como modelo
para os primeiros cristãos.
Paulo: vocação de continuar a missã o de Jesus ressuscitado.
Os textos que falam sobre a vocação de Paulo são: At 9,1-19; 22,1-21;
26,2-18. Os três relatos são unânimes em afirmar que Paulo, outrora o
perseguidor Saulo, tem uma visão no momento de sua chamada. Jesus se revela
a Paulo e lhe dá a missão de anunciar o Evangelho da Boa Nova a todos
os povos. Paulo dialoga com Jesus, fica cego, é batizado e inicia a sua
missão. O simbolismo da luz e da cegueira demarca a nova caminhada de
Paulo. Cair por terra, que não é de um cavalo, significa a tomada de consciência
de seus atos diante de uma missão totalmente diversa: de perseguidor para
aliado. Os elementos essenciais da vocação de Paulo são: chamado por Jesus
ressuscitado, cegueira, revelação da missão e sua realização.
A vocação tem várias nuances.
O estudo que fizemos sobre a vocação na Bíblia nos evidencia algumas conclusões,
tais como:
a) Os escritores (as) da Bíblia não mediram esforços para registrar o
modo como Deus chamou algumas pessoas para serem suas testemunhas. E todos
procuram responder ao chamado. Os judeus tinham a consciência de que o
chamado era levar ao mundo, a partir de sua condição de povo escolhido,
a proposta da santificação. Mas os judeus que se fizeram cristãos vivenciaram
a vocação como projeto de salvação. Jesus mesmo já havia dito: “O Espírito
do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres.”
(Lc 4,18)
b) A maioria dos casos de vocação na Bíblia é de homens. Fato considerado
normal para a sociedade daquela época.
c) A missão dos vocacionados é a de fazer justiça, seja como profeta,
rei, juiz, etc.
d) O esquema literário das narrativas vocacionais se repete, em muitos
casos, do seguinte modo: chamado, rejeição ao chamado, explicitação e
aceitação da missão.
e) O Novo Testamento entende a vocação à santidade e a consagração a Deus
em relação ao Espírito Santo e a Jesus. A comunidade de Lucas (Lc 1,35)
afirma: “Jesus, concebido do Espírito Santo é Santo e Filho do Altíssimo”.
A fé das comunidades paulinas logo compreenderam que todos os cristãos,
no Espírito Santo, são santificados. Por Ele participamos todos da morte
e ressurreição de Jesus (Rm 1,4).
f) A vocação do cristão à Santidade exige viver segundo o Espírito de
Deus e testemunhar Jesus à comunidade eclesial (1Pd 1,14: 2,5).
Por isso; todo batizado recebeu a graça de fazer parte do povo eleito
por Deus e de sua Igreja. Através da vocação cristã, somos chamados à
santidade, vocação à perfeição, recebendo a mesma fé pela justiça de Deus.
Fomos, portanto, eleitos e chamados pessoalmente por Cristo para ser,
como cristãos, testemunhas e seguidores do Mestre Jesus. Chamado à fé
pelo batismo, a pessoa humana recebe a missão de se tornar luz do mundo.Toda
pessoa batizada torna-se um seguidor de Cristo, participante de uma comunidade
de fé que pode ser chamada para participar da obra de Deus, como membro
de sua Igreja, trilhando o caminho da santidade, assumindo os valores
e os ideais que Jesus viveu e ensinou.


